sexta-feira, 25 de maio de 2012

Amansa-me Led


    Encontro-me inebriado, estão a ver?, aquele repulsa perante a sombra da mera hipótese de estar quieto, incontornavelmente stairway to heaven invade-me a audição, é sexta, dia que me encontro com os Led's estão a ver?, naquela presunção que possuídos movem-se para criar algo que mexe comigo, só comigo, e que somente as minhas colunas dançam em parelha com esta musica, que somente eu conheço pois na minha mente, na verdade que eu crio foi desenhada para mim pela simples razão que me deixa assim: salto de folha em folha sem me elevar da cadeira, enquanto aí sim vejo na verdade ramos a dançarem empurrados pelo vento que se ergue num dia que esperei solarengo para parir luz cinzenta como se os Maias tivessem antecipado a data de validade, arre, o meu pé bate, estão a ver?, tuc, tuc, tuc, enquanto danço vitima de uma era sem papel de dedos sob o portátil e não penso, cru, o que sai saiu, dei-o à luz em qualquer parte do corpo, este A nasceu no dedo mindinho, este Z no coração, este F nas costelas, não penso, enquanto meus glúteos colados na ganga das calças se arrastam em fricção naquilo que uma mente toldada veria como dança do caos, minha cabeça baixa e sobe, com a barba em desalinho, quando me distraio e me deixo arrastar demais para o poço e toco no portátil com o queixo, olhos cerrados e imagino e imagino, sinto-me um pianista, sinto-me bem pela simples razão de que neste momento não penso, não constato, Pessoa diria que não existo, amo-o longe de ser leviano, mas agora Pessoa até pode ter razão mas a verdade é que preso num momento em que musica criada especialmente para mim em estábulos de oiro e pedras preciosas concluo, sem saber que o concluo porque neste momento não vivo no passado, tudo é presente porque o que faço é reacção a nada, é mera acção, então falaciosamente escrito como concluo, não o faço, melhor não sei se o faço, mas escrevo-o se Pessoa o afirma eu percebo que não existo, porque neste momento sou feliz sem dar um ínfimo farrapo de tempo a algo mais que a acção, não penso, não quero pensar, não vou rever, mas agora neste curto espaço de tempo de dois baques de coração sou feliz.

 

 
*o acordo ortográfico tem acções que eu não gosto, estão a ver?

 

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