sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mar vermelho


    O meu estômago contorce-se, dobra-se, um corrupio corre-me o corpo, os testículos encrespam-se de raivas mal engolidas, um falso tesão aflora-se, falso sem o sexual na aritmética tudo por mero ódio passivo que me engole cada célula do corpo, vejo vermelho quando cerro os olhos pelo pesar da fronte, pesos maquiavélicos que me encarquilham a expressão, me levam a evitar olhar a luz pelo mero temer que pode ser demasiado forte e aí a odiarei, pode ser talvez muito fraca e aí a odiarei, minhas mãos tremem naquilo que parecem pequenas convulsões repartidas aleatoriamente pelo meu corpo, arrasto-me por aqui evitando sentir seja o que for pois tudo odiarei,
    - olha aquele filho da puta – em ziguezague ininterrupto, quão difícil é accionar o pisca, demora três décimas de segundo desde do momento em que activo os mecanismos cognitivos até ao momento que executo e termino a acção, - é assim tão difícil meu cabrão?, - uma, duas, três ultrapassagens, da esquerda para a direita sem dar o mínimo sinal de aviso, odeio-o tanto,
    - e vocês olham para onde minhas cabras? – ajoelhadas a adorar deuses e deusas mitológicos, em altares de pedra ricamente trabalhada, olham-no babadas em celibato, casadas com algo que transcende o que me remete para uma única cena do scary movie, ajoelham-se de quatro em busca de amores loucos com entidades que me, vos transcendem, o ajoelhar resulta em embate violento de piláu com vagina e gemidos tímidos são paridos para serem cobertos com cobertores de decoro rotos, elas olham o céu enquanto mãos cheias de cabelos são arrancadas pelo êxtase invisível de quem as penetra, acendem um cigarro no após para de seios nus com veias azuis pulsantes e sovacos pejados de pelos negros olharem os céus e sorrirem, - já se sentem melhor irmãs carmelitas?,
    ódio, um mar vermelho que desagua em meu peito, meu coração acelerado, alguém me respira no pescoço, odeio algo que amo, quando mulher que me move se digna a curvar do segundo andar e massaja meu pescoço, mas ainda aí odeio, hoje odeio o que ontem amei, hoje odeio o que amanha me levará ao clímax.

 


 

*sem acordo.

2 comentários:

Bartolomeu disse...

Em trânsito pelo corpo ardente de uma mulher, James?
Para quê os pisca-pisca, se a colisão dos corpos é desejável, e uma meta a atingir?!
;)))

James Dillon disse...

Quando o ódio brota olho o que amo com os sentidos deturpados, afinal do amor ao ódio são dois passos,

:),


cumprimentos,
JD