segunda-feira, 21 de maio de 2012

Odeio-te mas em onda pacifista, tás a ver?


    Hoje sinto-me passivo, hoje alapo-me nesta torre de marfim e olho-vos de cima para baixo, observo com encanto a mediocridade que me cerca, o amado, o adorado, homens e mulheres esfolam-se em rituais que deixam Astecas de outrora de olhos esbugalhados para pagarem tributos e dizimas em castelo a coisas de cobre e cobalto.
    Podia chorar, podia rir, mas sinto-me passivo, redtube passivo,
    - tás a ver?, - hoje não quero pensar, quero ver estas bestas a andarem de um lado para o outro em círculos pendulares, - tás a ver? – quero tal e qual olhava as formigas em guerra quando era puto e descobria qual delas era Aquiles e qual delas era Diocenes, - tás a ver? – ria enquanto se gladiavam em terrenos de lama, ria enquanto imaginava suas tenazes a penetrarem a pele da Júlia Pinheiro, e ela guincha, guincha, guincha que nem uma porca – peço desculpa – mas é irremediável o uso dessa expressão, pela simples razão que já não tem idade para ser leitão, - tás a ver?,
    espero sinceramente que lamentes,
    - lamento, lamento,
    espero bem que sim, nada te dá o direito de entrares na calúnia,
    - qual quê?, era elogio tótó,
    enfim sai um auto de fé e um saquinho de pólvora se fizerem o favor.
    Passivo, em perfeita sintonia com a minha amada ataraxia, que tanto desejo e pouco encontro, volta, despe-me e põe-te a andar deste recanto do meu próprio, mui pessoal apocalipse interno: é meu e somente meu, sendo eu mil reflexos de minha alma espalhados por um invólucro com data de validade.

 
*que se foda o acordo.

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