segunda-feira, 14 de maio de 2012

Redundância


    Estou cansado do cariz inexorável do tempo, do contar sistemático e infalível dos grãos de areia de tombam do tambor superior para o inferior da ampulheta, desejo abanar conceitos científicos formais e colocar o tempo na perspectiva do usuário, sentar-me no sofá e entre cervejas quentes acelerar, abrandar, atrasar ou avançar o tempo, quero comprar anos antes de cair da falésia, quero viver mais, ou quero viver menos depende do cariz par ou ímpar do dia, mas no fim quero perder a noção fatalista de quem tem as rédeas do meu fim é outro que não a minha individualidade, quero poder escolher o momento em que coloco os meus pés na barca sem ofender a mui sacrossanta condição humana.

 

 

 
*este texto não segue o acordo ortográfico.

2 comentários:

Eli disse...

Percebi... tanto. Quando li este texto, visualizei a imagem.

Muitos parabéns! Escreves muito bem.

James Dillon disse...

Devolvo-te a saudação com um rendido obrigado.

Cumprimentos.