sábado, 2 de junho de 2012

Rasgos

   A caneta tinha que falhar, enfim, com isso a inspiração que tinha, ou me parecia sentir a rastejar sob a pele tão depressa veio como foi.
   Sabia que era algo, melhor, sei que é algo acerca do pato em forma de relógio, sim, a ordem está correcta, precisa arrisco-me, faz tic-tac, tic-tac, o que tão bem me sabe e tão bom é para adormecer, mas agora como isso, esse esgar de pensar me levaria a criar um pedaço de prosa é dificil discernir.
   Algo se imbui em mim cautelosamente para não ser sentido, algo maroto, um bandido, viola-me os cadeados com ganchos do cabelo, mui Hollywoodesco?, paciência, entra por mim a dentro, sem com licença que me salve, e rasga-me carnes tenras, novas ainda, em formação, em amadurecimento, com a violência de um aríete arromba os últimos portões de aço fundido, e de espada em riste somente eu aguardo em defesa daquilo que imagino ser, espada nascida através de segredos recônditos de artificies saxões, durante semanas a bater e rebater com o martelo na bigorna, na matéria prima, atencioso, até se deu ao trabalho de deixar um sulco na lâmina, para o sangue escorrer, tudo para impedir o efeito de sucção quando ela penetrar no corpo de outros, na mão esquerda seguro uma machadinha, daquelas úteis em dias banhados a sombras em que homens se enfrentam em escudos defensivos, com a espada elevo-me e ataco por cima, levo o meu inimigo a erguer o pedaço de carvalho maciço que o protege, e aí, touché, com a machadinha violo as canelas desprotegidas ou a masculinidade pendente, aí que cheiro a cerveja, mas tu inspiração enquanto me penetras pensas,
   - aí que cheiro a mofo.



*não segue o acordo ortográfico.

4 comentários:

Eli disse...

As meninas (algumas) têm sempre (ou não) uma tendência para reparar nos maus, nos vilões e, muitas vezes querem saboreá-los tão secretamente como os admiram enquanto a sua pele vibra. As meninas, aquelas que nunca o deixam de ser, mesmo sendo mulheres. As mulheres - não corrijo - não as princesas, que dessas, querendo distância, lhe salve o rei, que os príncipes andam ocupados a quebrar as regras mundanas. Na verdade, o verdadeiro fundo está na coragem de ir mais além, mesmo não sendo aceite, que a maioria assim, não o é. Sem itálicos, por favor, que me inspirem as palavras que me levem e tragam quantas vezes não for preciso.

James Dillon disse...

Gostei muito do cometário.
Dou comigo a entendê-lo sem realmente o perceber, faz sentido?,

um obrigado pela companhia,
JD

Eli disse...

Isso acontece-me quando leio os seus textos, por vezes. É estranho quando se atiram palavras assim, sem nexo, mas com ramificações cerebrais enérgicas... :) Sim. Faz sentido.

James Dillon disse...

Quando o estado de espírito é o correcto lá consigo ver coberto em partes por farrapos de persistente nevoeiro uma linha de lógica, mas se varia se o que pensei em total consciência ou não já não concorda com o que, ou quem me ocupa lá vai pela rua abaixo o que queria dizer, ou o que sentia,

cumprimentos,
JD