domingo, 20 de outubro de 2013

Um ponto final para começar

O mundo inexorável rebola sobre si, das esquinas, aí de mim que vejo esquinas num globo achatado, mas inda assim persisto quando: esquinas, reitero quando: das esquinas despencam pedaços anónimos de negrumes da alma, quem sabe, saberei?, paridos de uma corja de roedores sem tacto, mas se um dia virei costas, inexorável seria o dia em que daria com os olhos de novo nestes predicados sem fim, tão certo como o mundo que rebola esvaindo-se em podridão sem tecto à vista, olho-me num espelho e as diferenças esvaem-se no meio do idêntico, talvez subsista agora de mim para quem fui, do eu presente para o eu de ontem, do outro lado de um vidro cada vez menos lúcido um mancinismo vivo em mim, quando antes a mão direita me comandava a saudação.


Cumprimentos,
NR


*Sem acordo